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A dor coletiva e o futuro confiscado

  • há 11 horas
  • 2 min de leitura

A nossa dor de agora, sofrida e coletiva, não nasce apenas do caos que estamos vivendo, mas sim de tudo que sonhamos construir como nação e que nos foi roubado.


Sofremos, Brasil, não apenas pela conta que não fecha no fim do mês, mas por todos os futuros que deixarão de existir. Sofremos pelos filhos que precisamos criar com medo, pelas cidades que sonhamos seguras e que se tornaram trincheiras. Sofremos por todos os silêncios que gostaríamos de ter em paz, mas que são invadidos pelo barulho das discordâncias e pela falta de fé no amanhã.


Sofremos não apenas porque acordamos cedo para um trabalho que nos esgota, mas pela dignidade que nos é negada, por todas as horas de lazer que deixamos de ter para nos distrair dessa realidade dura, para confraternizar sem o peso da desesperança no peito.


Sofremos não porque nossos líderes falham, mas porque sonhamos com a honradez e testemunhamos escândalos que vêm de todos os lados, dos políticos que deveriam nos representar e das próprias instâncias superiores, que parecem pairar sobre um abismo de interesses, distantes do chão de terra onde o povo pisa.


O Estado definha e sangra, mas é no corpo do cidadão que a ferida dói. A nossa angústia maior é essa: ver o futuro sendo confiscado não pelo tempo, mas por aqueles que deveriam zelar por ele. Impedindo que as aventuras da prosperidade nos aconteçam, que os sonhos de uma vida melhor se realizem.


A resposta para aliviar essa dor profunda não está nos discursos vazios que ouvimos por aí, mas talvez num gesto simples e complexo: persistir. É recusar a anestesia da alma.


Vivemos tempos em que a prudência egoísta de poucos nos arrisca a todos, e é nesse jogo perigoso que nos esquivamos do sofrimento momentâneo, mas perdemos a felicidade duradoura de um país justo.


A dor dessa realidade é, por enquanto, inevitável. Mas permitir que ela se transforme em apatia e esquecimento, isso sim, é um sofrimento que não podemos escolher.


Como nos ensina Carlos Drummond de Andrade: "A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade."


Imagem gerada por IA com o nome "A comemoração sangrenta da opulência".
Imagem gerada por IA com o nome "A comemoração sangrenta da opulência".

 
 
 

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