Comentário ao livro de Mark Manson, sobre a Arte Sutil de Dizer "F*da-se" para o que realmente não importa
- Ronilson Pelegrine
- 10 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
Mark Manson, em "A Sutil Arte de Ligar o F*da-se", cutuca essa ferida com um dedo cínico e necessário. Ele não nega a realidade do sofrimento, mas questiona a qualidade dos nossos problemas. A tese central é brutalmente simples: temos uma quantidade limitada de foda-se para dar na vida. O grande desafio, então, é gastar essa moeda preciosa apenas com o que verdadeiramente importa.
Há uma ideia errada que flutua por aí: a de que "ligar o foda-se" significa ser irresponsável, cínico ou apático. É vestir um manto de indiferença para com o mundo. Mas não é sobre isso que se trata. A verdadeira arte, como desvendada por Mark Manson, é muito mais profunda e, ironicamente, mais difícil: é sobre escolher com cuidado no que você vai ligar o foda-se.
Vivemos numa era do "você pode ter tudo". Das redes sociais que nos sussurram que precisamos ser mais, ter mais e parecer mais. Nos martelamos com preocupações vazias: "O que vão pensar de mim?", "Será que eu falei algo errado?", "Por que a vida dele parece perfeita e a minha não?".
Essas preocupações são como moedas falsas. Elas parecem ter valor, consomem nossa energia, mas no final, não compram nada. Não trazem realização, não constroem caráter, não aprofundam relações. Só deixam um rastro de ansiedade e insegurança.
Então, como praticar a arte?
O primeiro passo é o confronto. Enfrente a merda. Você é limitado. Seu tempo e energia são finitos. Cada "sim" para uma preocupação vazia é um "não" para algo que realmente importa. Pare de fugir do fato de que a vida é, em parte, dor, falha e desconforto. Aceitar isso não é ser derrotista; é ser realista. É a base da liberdade.
Agora, faça a pergunta que tudo muda: "O que é tão importante que vale a pena sofrer por?"
Essa é a bússola. Porque tudo que tem valor na vida exige uma certa dose de luta, de desconforto, de "foda-se" para as distrações.
Se um relacionamento genuíno é importante para você, vale a pena ligar o foda-se para o orgulho e pedir desculpas quando errar.
Se sua saúde é importante, vale a pena ligar o foda-se para a preguiça de domingo de manhã e ir para a academia.
Se construir uma carreira significativa é importante, vale a pena ligar o foda-se para o medo da rejeição e enviar aquele projeto arriscado.
Percebe? Não é sobre não se importar com nada. É sobre se importar mais com as coisas certas. É trocar a ansiedade sobre o que os outros pensam pela dedicação à sua própria integridade. É trocar a comparação nas redes sociais pela luta para ser uma versão ligeiramente melhor de você mesmo hoje.
Seu "foda-se" é um recurso precioso. Não o desperdice.
Portanto, faça uma limpeza. Identifique as preocupações vazias que ocupam sua mente como um spam mental e diga a elas, com todas as letras: FODA-SE.
Foda-se para a necessidade de agradar a todos. Foda-se para a comparação com a vida editada dos outros. Foda-se para o perfeccionismo que te paralisa. Foda-se para o medo do julgamento alheio.
E no lugar vazio que essas preocupações deixarem, plante os valores que realmente importam para você. Lealdade, criatividade, crescimento, amor, verdade. Sofra por essas causas. Lute por elas.
No final, a vida não é sobre encontrar a felicidade permanente, um estado mágico onde nada nos afeta. É sobre encontrar problemas melhores para se ter. Problemas que valham a pena. E para isso, você precisa dominar a arte sutil, e corajosa, de saber no que ligar o foda-se.




Comentários